Desde que a Receita Federal tentou auditar cargos de destaque no Estado, em 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) vive às turras com o órgão, buscando saber, inclusive, quais as motivações do trabalho fiscal.
Um novo capítulo
desse embate surge em notícias da mídia, pois o ministro Bruno Dantas questiona
a Receita sobre gastos com fiscais de bagagens em voos internacionais.
Para o
ministro, em síntese, não se justifica pagar cerca de R$ 81,2 milhões a 247
servidores tributários e aduaneiros, pois isto é mais do que o dobro dos
valores retidos.
Olvida Dantas
que diariamente toneladas de produtos entram e saem por meio de estradas,
portos e aeroportos. Ao importar e exportar produtos e insumos de diferentes
origens e fins, normas devem ser obedecidas, não só as relacionadas à
tributação, mas as relativas à segurança nacional, como o tráfico de drogas.
Controlar o
fluxo de mercadorias é missão da Receita Federal, nas alfândegas localizadas nos
41 aeroportos e espalhadas nos 16 mil km de fronteira terrestre e 8 mil km de
orla marítima.
No aeroporto de
Guarulhos, em SP, chegaram e partiram, somente em 2019, antes da pandemia,
quase 76 mil voos internacionais, movimentando mais de 15 milhões de pessoas.
Por esse
motivo, a atenção da Receita deve ser constante, pois todas as mercadorias que
entram em solo nacional em voos internacionais são classificadas e taxadas com
base no valor declarado.
É nessa fase
que os Auditores Fiscais e demais servidores aduaneiros agem no combate ao
contrabando, ao tráfico de drogas, à pirataria, à sonegação fiscal e aos crimes
contra os consumidores e o meio ambiente.
Só nos dois
últimos anos, foram apreendidas pela fiscalização 108 toneladas de drogas, as
mais diversas. O TCU deveria, sito sim, avaliar o impacto de se retirar a
fiscalização dos aeroportos.
Será que os
produtos que ingressarão nas malas, embalagens e pacotes serão os mesmos? Não
haverá risco de entrada de produtos eletrônicos de alto valor, maior quantidade
de cocaína, heroína e outras drogas, inclusive vírus letais de toda a ordem?
A presença da
fiscalização da Receita Federal e outros órgãos de controle, é fundamental no
fluxo aduaneiro. Muitos viajantes ocultam objetos e escondem diversas infrações
por trás de depoimentos inverídicos.
Manter em
funcionamento essa barreira humana nas portas do território nacional, com
aparato tecnológico suficiente para dar apoio às operações, é dever do Estado e
direito de todos os cidadãos. (27/01/22)
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